EMBANANAMENTO POLÍTICO-ELEITORAL
Samuel Celestino
EMBANANAMENTO POLÍTICO-ELEITORAL
Estabeleceu-se, no País, uma espécie de patrulhamento envolvendo as campanhas regionais e a nacional para a Presidência. Normalmente, uma campanha nada tem a ver com a outra porque, tradicionalmente, os partidos no Brasil têm características regionais. É uma realidade que vem lá da República Velha, pré-Revolução de 30. Cada unidade federativa tem as suas peculiaridades, daí as dificuldades para unir, estabelecendo um vínculo entre as campanhas presidencial e as dos Estados. Na Bahia existe um diferencial que não se reporta às legendas, mas sim a um nome: Lula.
O governador Jaques Wagner se elegeu em 2006 porque vinculou seu nome a Lula, na base do “dois é um”. A popularidade do presidente, tentando a reeleição, carregou o candidato a governador, embora não se possa abstrair ou afastar fatores outros que influíram, e muito, aquela eleição. Primeiro, se mentindo eu não estiver, a competência eleitoral de Wagner, que já havia sido candidato em 2002 e foi derrotado por Paulo Souto; segundo uma fadiga que se alastrou em relação ao carlismo, que se perpetuava no poder. A ordem, se quiserem, pode ser invertida.
O próprio senador, que foi reverenciado anteontem com uma missa na Igreja da Vitória ao completar três anos de morto, escolheu, sem consultar absolutamente a nenhum correligionário, nem mesmo a Souto, a chapa, de cabo a rabo. Naquele momento, Paulo Souto não foi uma escolha, e sim uma imposição da realidade: só havia ele com possibilidades de vitória.
Os demais integrantes, inclusive o senador (Rodolpho Tourinho) foram anunciados num programa de televisão.
Direto ao público, sem passar pelos correligionários ou pelo partido, o então PFL.
O atual governador colou sua imagem à de Lula e deu certo. Não regionalizou. Nesta campanha, além de Lula, ele somou Dilma. Não que Dilma carregue votos, porque votos ela não tem. Será votada e poderá chegar à Presidência através da força políticoeleitoral do fenômeno Lula. Assim, o governador que tenta a reeleição incluiu Dilma na sua propaganda, além dos candidatos ao Senado.
Diferentemente, Paulo Souto não integrou, pelo menos até agora, o candidato tucano José Serra, como pode ser observado no seu comitê eleitoral, onde estão ausentes também, creio que num equívoco, os nomes dos candidatos ao Senado, José Carlos Aleluia e Zé Ronaldo. Aparece, no entanto, o do vice Nilo Coelho, esse, sim, dispensável, porque não será votado.
Acompanha a sorte do candidato ao governo.
Geddel Vieira Lima também usa a imagem de Lula, porque tem direito, já que o PMDB, seu partido, é o principal aliado do PT nacional. A legislação, até aqui, não permite a utilização por ele da imagem ou da voz de Dilma.
No mesmo raciocínio anterior, sem problemas. Pior para Dilma. Para Geddel quem vale (suposição minha) é Lula que é puxador de votos e não Dilma que vai a reboque.
Esta realidade, convém registrar, é nacional. Na Bahia, José Serra está bem, embora perdendo para Dilma (Lula), mas não com grande diferença, segundo as pesquisas divulgadas.
Em outras unidades federativas, o mesmo acontece, como Minas Gerais, por exemplo. Lá, Aécio Neves, candidato ao Senado, aparece colado com seu candidato a governo, Anastásia (pode ultrapassar Hélio Costa, o líder, candidato pelo PMDB) e se junta a Serra apenas na propaganda eleitoral.
Serra lidera
Ganhou nova configuração com a redemocratização, a partir da Constituição de 1946; foi arrebentada pelo golpe militar de 1964, consequentemente, pela ditadura, que estabeleceu o bipartidarismo.
Renasceu, com novos partidos, com o fim do regime dos generais e o nascimento da Nova República, de Tancredo Neves.
Observem a mixórdia. Os partidos não conseguem se tornar legendas com tradição nacional. Não convém, sequer de longe, comparar com os partidos Democrata e Republicano, dos Estados Unidos, nem com o sistema inglês.
Aqui, em Pindorama, cada unidade federativa tem a sua realidade. Os partidos nos Estados formam coligações diferentes da nacional. Algumas, à primeira vista, absurdas.
O Brasil jamais terá partidos sólidos enquanto não houver uma Reforma Política séria que estabeleça a obrigatoriedade da verticalização, de modo que o apoio aos candidatos à Presidência tem, obrigatoriamente, que se repetir nos Estados.
O que acontece por essas bandas são alianças forjadas no interesse político e pessoal que desvirtuam o sistema eleitoral. O desvirtuamento é tal que passou a valer a qualidade dos candidatos, e não a qualidade dos partidos.
Se você pegar todos eles, os partidos, fizer um pacote bem amarradinho ou coloca-los num saco e lançar na maré, não estará cometendo o erro de misturar alhos com bugalhos. São iguais. Filhos bastardos de uma legislação torta.
Diria, retornando a um bordão antigo que costumo repetir: “na corrida para os cofres públicos todos os gatos são pardos”. Assim, são os partidos gatos pardos. Não sem razão os políticos pulavam como macacos de galho em galho, mudando de legenda conforme a conveniência de cada um, até que o TSE colocou ordem (nem tanto) na baderna.
Melhor, então, escolher pelo nome, pelo candidato, considerando a sua competência (pode-se errar) e a imagem que ele transfere ao eleitor, e não pela legenda a qual está vinculado.
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