ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS Planalto quer sufocar PSB
O deputado Ciro Gomes, alheio às articulações do Planalto, esteve ontem na sessão do Congresso
ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS
Planalto quer sufocar PSB
A reação palaciana se dá após dias seguidos de ácidas críticas de Ciro Gomes ao PT, PMDB e ao próprio Lula
Brasília. Diante do bombardeio do deputado e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE), para manter sua candidatura presidencial, o Planalto decidiu mudar de estratégia: agora vai jogar pesado com o PSB e tentar sufocar o partido, principalmente dificultando as alianças regionais. O governo fará forte pressão em Pernambuco, onde o governador Eduardo Campos, presidente do PSB, vai tentar a reeleição com o apoio do PT. Também deve jogar pesado em estados como Rio Grande do Norte, Ceará e Sergipe, ameaçando dificultar acordos regionais já adiantados.
A ideia, com isso, é repassar para o PSB o ônus político da retirada da candidatura de Ciro. Embora a pressão de Lula e do PT já tenha ficado mais que evidente, o presidente não quer ser apontado como responsável pela eventual saída de Ciro da disputa presidencial.
A reação palaciana se dá após dias seguidos de ácidas críticas de Ciro ao PT, PMDB e, principalmente, ao próprio Lula. O tom enfático do deputado cearense pegou de surpresa o governo e o PT. De acordo com um ministro, não se esperava que ele fosse tão duro.
- Esse é o estilo de Ciro. Temos que ter paciência. Ele tenta consolidar sua candidatura. Mas essa negociação tem que passar pelos partidos, pelos governadores e pelos arranjos políticos regionais, para só depois consolidar o quadro nacional - comentou o líder do PT, deputado Fernando Ferro (PE), alertando:- Quem é governo não deve se dividir. Se essa lógica de incentivar a divisão nacional prevalece, isso vai estimular a divisão nos estados.
No Ceará, vários petistas já ameaçam retirar apoio à reeleição do governador Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro. No Rio Grande do Norte, a governadora Wilma Faria (PSB) quer fechar a aliança com o PT para disputar uma vaga para o Senado. E em Sergipe, o senador Antonio Carlos Valadares (PSB) quer se reeleger com o apoio do governador Marcelo Déda (PT-SE). O PT ameaça dificultar até mesmo alianças proporcionais.
Para tentar fortalecer sua posição no PSB, o deputado cearense busca apoio de líderes do seu partido que devem enfrentar o PT nos estados, como o deputado Beto Albuquerque (RS) e o senador Renato Casagrande (ES). Os dois devem disputar o governo de seus respectivos estados com o PT no palanque adversário.
- O PSB vai avaliar o que é melhor para o partido. E temos que considerar que a candidatura de Ciro ajuda a imagem do PSB. Se o PT deseja fazer alguma proposta, vamos analisar - observou Casagrande.
Ontem o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que a candidatura de Ciro não enfraquece a de Dilma. Tarso disse que Ciro é aliado do governo e que gostaria que ele estivesse no mesmo palanque que Dilma, mas que a pretensão dele é legítima e tem de ser respeitada.
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